Em crise agora? Se você está pensando em se machucar, ligue para o CVV — gratuito, sigiloso, 24 horas. Ligar 188
Ilustração de uma pessoa olhando o sol nascer sobre um bairro brasileiro, vista de um terraço
Recomeço Pare de apostar

Depois da última aposta, vem o primeiro dia.

Um guia gratuito e anônimo para quem quer parar de apostar: o que fazer hoje, como bloquear o acesso às plataformas e um plano de 30 dias para reorganizar hábitos e dinheiro — um dia de cada vez.

Sem cadastro e sem nome: nada aqui pede seus dados. Este site fala de organização e hábitos — não é tratamento médico e não promete cura. Quem trata é profissional de saúde, e abaixo você encontra os caminhos gratuitos para chegar até um.

+140%

foi o crescimento dos atendimentos por jogo patológico no SUS entre 2018 e 2025 — com projeção de mais que dobrar de novo até 2028.

Fonte: Ministério da Saúde / Poder360 (set. 2026)
1,3 mi+

de brasileiros já pediram a autoexclusão das plataformas de apostas. Mais da metade citou a própria saúde como motivo.

Fonte: Portal Tela (set. 2026)
65%

das mulheres que apostam nunca buscaram ajuda — por vergonha. É exatamente por isso que este guia é anônimo.

Fonte: Instituto Clarice (2026)

Reconhecer é o começo

Sinais de que a aposta virou um problema

Ninguém acorda um dia e decide perder o controle. Ele vai escapando aos poucos. Leia a lista com calma e marque mentalmente o que parece familiar:

  1. Você aposta para recuperar o que perdeu

    O famoso "correr atrás do prejuízo": cada perda vira motivo para a próxima aposta, sempre um pouco maior.

  2. Você esconde valores e frequência

    Apaga notificações, mente sobre quanto apostou, evita abrir o extrato perto de outras pessoas.

  3. O dinheiro dos outros entrou no jogo

    Empréstimo, adiantamento de salário, cartão de crédito, cheque especial — ou dinheiro que era de uma conta da casa.

  4. Você tenta parar, mas volta em poucos dias

    Já prometeu para si mesmo (ou para alguém) que era a última vez. A promessa não segurou.

  5. Sem apostar, vem irritação e ansiedade

    Inquietação, insônia, mau humor — e um alívio imediato quando volta a apostar.

  6. O jogo já atrapalhou a vida real

    Trabalho, estudos, família, sono, saúde: alguma área importante já pagou a conta.

Se dois ou mais sinais são familiares, trate isso como um problema real — não como falta de vergonha na cara. O transtorno do jogo é uma condição de saúde reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Vergonha não resolve; barreira, rotina e apoio, sim. É para isso que serve o resto desta página.

Hoje, não amanhã

Quatro coisas para fazer nas próximas 24 horas

Você não precisa resolver a vida inteira hoje. Precisa tornar a próxima aposta difícil de fazer. Vontade passa; barreira fica.

  1. Bloqueie o acesso pelo gov.br

    A autoexclusão oficial é gratuita: com uma conta gov.br de nível prata ou ouro, você pede o bloqueio do seu CPF em todas as plataformas licenciadas, por 1 a 12 meses ou por tempo indeterminado. Durante o prazo escolhido, não dá para reverter — e as operadoras têm até 72 horas para efetivar o bloqueio. É a barreira mais forte que existe, e leva poucos minutos.

    Passo a passo da autoexclusão (Olhar Digital) →
  2. Corte o caminho do dinheiro

    Desinstale os apps, apague cartões salvos, reduza ao mínimo os limites de Pix e de transferência e, se possível, deixe o cartão com alguém de confiança. Cada obstáculo entre a vontade e a aposta é tempo para a vontade passar.

  3. Conte para uma pessoa

    O segredo é o combustível do vício. Escolha uma pessoa e quebre o silêncio — não precisa ser uma conversa perfeita. Se as palavras travarem, comece assim:

    "Preciso te contar uma coisa difícil. Eu perdi o controle com apostas. Não estou te contando para você resolver — estou contando porque sozinho eu não estou conseguindo parar."

  4. Marque um apoio humano ainda esta semana

    Uma reunião online dos Jogadores Anônimos, uma ligação para o 136 do SUS ou um teleatendimento pelo app Meu SUS Digital. Apoio de gente que entende multiplica qualquer plano — inclusive o de 30 dias aqui embaixo.

Ajuda de verdade, gratuita

Você não precisa enfrentar isso sozinho

Estes serviços são gratuitos, funcionam em todo o Brasil e não pedem que você "se explique". Guarde esta seção nos favoritos do celular.

CVV — Centro de Valorização da Vida

188

Apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, todos os dias. Para os momentos de crise, desespero ou pensamento de se machucar — e também para quando você só precisa desabafar com alguém que não vai te julgar.

Ligar agora para o 188

SUS — atendimento pelo 136

136

A Ouvidoria do SUS orienta sobre onde buscar atendimento para transtorno do jogo na sua cidade. O app Meu SUS Digital também oferece autoteste e teleatendimento para questões de jogos e apostas — a capacidade foi ampliada em 2026 justamente porque a procura explodiu.

Ligar para o 136

Jogadores Anônimos

Reuniões online e presenciais

Irmandade de pessoas que passaram pelo mesmo que você, no Brasil desde 1993. Reuniões gratuitas, anônimas e sem julgamento — o único requisito é o desejo de parar de jogar. Há grupos online para quem ainda não consegue ir pessoalmente.

jogadoresanonimos.com.br

Autoexclusão oficial

Bloqueio em poucos minutos

Pelo gov.br, você bloqueia o próprio CPF em todas as plataformas licenciadas de uma vez — por 1 a 12 meses ou por tempo indeterminado. É gratuito e também para de receber publicidade das casas de aposta.

Ver o passo a passo

O plano

Recomeço em 30 dias

Trinta dias, quatro fases, uma tarefa por dia. Nada de virar outra pessoa da noite para o dia: o objetivo é fechar as torneiras, segurar a vontade, colocar o dinheiro em ordem e preencher o espaço que o jogo ocupava. Toque em cada fase para ver os dias.

Dias 1 a 7

Fechar a torneira

Na primeira semana, força de vontade não é a estratégia: barreira é. O trabalho é tornar a aposta fisicamente difícil e enxergar a situação real, sem filtro.

  1. Dia 1

    Faça a autoexclusão no gov.br e desinstale todos os apps de aposta do celular. Hoje. Antes de qualquer outra coisa.

  2. Dia 2

    Liste tudo, no papel: quanto você deve, para quem e os vencimentos. Sem se julgar — só enxergar o tamanho real do problema.

  3. Dia 3

    Conte para uma pessoa de confiança. Se travar, use o roteiro da seção "nas próximas 24 horas" aqui da página.

  4. Dia 4

    Mapeie seus gatilhos: em que horário, lugar e estado emocional a vontade costuma aparecer? Anote. Você vai precisar desse mapa.

  5. Dia 5

    Bloqueie o caminho do dinheiro: limites de Pix e cartão no mínimo, cartão longe da mão, dinheiro do mês separado do resto.

  6. Dia 6

    Monte a sua noite: o que você vai fazer, com hora marcada, no horário em que costumava apostar? Vazio é convite para recaída.

  7. Dia 7

    Feche a semana com gente: participe de uma reunião online dos Jogadores Anônimos ou ligue para o 136 se sentir que precisa de apoio profissional.

Dinheiro

Perdi dinheiro. E agora?

A resposta curta e honesta: o dinheiro que foi, não volta apostando. A matemática das plataformas garante que tentar "recuperar jogando" só aprofunda o buraco. O que funciona é o caminho chato — e ele funciona:

  • Liste todas as dívidas com valor, credor e vencimento — sem esconder nenhuma de si mesmo.
  • Proteja primeiro o essencial: moradia, comida, transporte e trabalho.
  • Negocie: bancos e credores preferem receber com prazo a não receber. Peça desconto e anote o protocolo.
  • Pare todo crédito novo. Cartão e cheque especial são gasolina neste incêndio.
  • Deixe o essencial no automático, no dia do salário, e o resto longe da mão.

Para a família

Como ajudar alguém que aposta

Se você chegou aqui por causa de alguém que ama, saiba: vergonha e briga não param o vício — costumam empurrá-lo para o segredo. O que ajuda de verdade:

  • Converse sem acusação: fale do impacto ("estou preocupado com a gente"), não do caráter ("você é irresponsável").
  • Não pague as dívidas dele ou dela sem combinar limites — quitar sem barreira pode só liberar espaço para apostar de novo.
  • Sugira os bloqueios e ofereça companhia para fazer a autoexclusão e ir à primeira reunião.
  • Cuide de você também: existem grupos de apoio para familiares de jogadores, como o Gam-Anon, além dos Jogadores Anônimos para o próprio jogador.

Perguntas de quem está no mesmo lugar

Perguntas frequentes

Dá para parar de apostar sozinho?

Algumas pessoas conseguem com barreiras fortes e rotina — é o que este plano monta. Mas se os sinais da lista acima forem muitos ou intensos, apoio profissional e de grupo aumenta muito as chances. Pedir ajuda não é o plano B: é parte do plano. SUS (136), Jogadores Anônimos e o autoteste do Meu SUS Digital são gratuitos.

Recaí. Acabou tudo?

Não. Recaída é parte comum do processo — ela não apaga os dias limpos nem o que você aprendeu. O que importa é a velocidade da reação: hoje mesmo, reative os bloqueios, renove a autoexclusão se precisar, conte para a sua pessoa de confiança e volte ao Dia 1 das barreiras. O erro perigoso não é recair; é tentar "recuperar" a recaída apostando.

A autoexclusão do gov.br funciona mesmo? Dá para cancelar?

Funciona para todas as plataformas licenciadas no Brasil, e é gratuita: você escolhe de 1 a 12 meses ou tempo indeterminado, e as operadoras têm até 72 horas para bloquear. Durante um prazo determinado, não é possível reverter — é justamente essa firmeza que protege você nos dias de vontade forte. No modo indeterminado, há até um mês para invalidar a decisão; depois disso, a liberação só pode ser pedida após 12 meses, com laudo de profissional de saúde.

Este plano substitui tratamento?

Não, e ele nem tenta. O Recomeço é organização prática — hábitos, barreiras e dinheiro —, não terapia nem tratamento médico. O transtorno do jogo é uma condição de saúde: se você sente que está fora de controle, procure o SUS pelo 136, o app Meu SUS Digital ou os Jogadores Anônimos. E em crise, com pensamento de se machucar, ligue 188 (CVV) na hora.

Antes de ir

Um acordo honesto entre a gente

Este site não vende milagre, não promete cura e não substitui psicólogo, psiquiatra ou qualquer profissional de saúde. Ele organiza o que está no seu controle: barreiras, rotina e dinheiro. O resto — a parte de saúde — tem gente preparada e gratuita para te atender, e os telefones estão logo acima.

Se em algum momento a coisa apertar a ponto de você pensar em se machucar, não espere o plano fazer efeito: ligue 188 agora. É o CVV, atende 24 horas, de graça e sem julgamento. O seu recomeço importa — e ele começa com você aqui.